O século XIX viu drásticas mudanças ocorrerem na sociedade européia. Busca da democracia, urbanização das cidades, revoluções industriais, revoltas populares, surgimento de ideais socialistas, produção em massa e grandes saltos nas ciências, fizeram com que o mundo ocidental passasse por mudanças em um nível nunca antes visto. E como sempre esteve caminhando lado a lado com o contexto histórico inserido, a arte não poderia deixar de refletir tais mudanças.
Em uma sociedade encantada e apreensiva com a velocidade das transformações ocorridas no século XIX, novas idéias em relação ao papel da arte começam a surgir. A invenção da fotografia, por exemplo, fez com que a arte como representação fiel da realidade se tornasse obsoleta. Assim sendo, os artistas do começo do século XX precisaram encontrar novas formas de se expressar.
É, portanto, a partir desse contexto que surgem as Vanguardas Artísticas Modernas, em que tal nome remete ao termo militar avant-garde que designa o pelotão que segue na linha de frente nas batalhas. Composto pelo Expressionismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo e Surrealismo, o novo movimento artístico tinha como proposição refletir e representar todas as angústias, inquietações e contradições de uma nova sociedade.
Apesar de possuir características diversas, as vanguardas apresentam alguns elementos em comum. Além de procurar representar as mudanças da sociedade, todas negam as manifestações artísticas do passado, pregam idéias e princípios radicalmente novos (nesse ponto o movimento faz jus ao nome) e deixam os temas religiosos e apologéticos as classes burguesas de lado. A crítica ao capitalismo e à atual sociedade industrial também se faz muito presente em todo o movimento, salvo algumas exceções como o Futurismo.
Dessa forma, é possível entender como uma nova sociedade que estava nascendo a partir das mudanças ocorridas principalmente na Europa precisava de uma nova forma de arte. Não mais aquela arte engessada nos valores antigos e religiosos. Os artistas das vanguardas perceberam essa necessidade e, a partir de uma serie de experimentações, criaram novas formas de expressar todas as preocupações, contradições, pessimismos e observações em relação a esse novo mundo.
Um exame não mais do mundo externo, mas do interior da psicologia individual e coletiva. Ele é decisivo para o nascimento do Expressionsmo. Fez uma viagem da Noruega para Paris onde experimenta de tudo em 1895, Gauguin, Seurat, Van Gogh. Traz em si o sentimento trágico da vida, que permeia a literatura escandinava.
Ele acredita na inversao do impressionismo, desloca-se da realidade externa para a realidade interna. A cor deve se incendiar em sua propria violencia: a cor nao deve significar nada, a cor deve expressar. Nao é uma cor ligada à sensaçao e emocao visual, mas sim uma cor que pretende definir um estadao de espirito, do clima ou da atmosfera da imagem.
Tendo surgido primeiramente na Alemanha do inicio do século XX, o Expressionismo é considero como a primeira vanguarda. Dentro de um contexto onde grandes mudanças eram percebidas (as cidades tomando lugar do campo, a modernização e mecanização da vida, a alienação e massificação do individuo), o artista dessa vanguarda procura expressar seus sentimentos de pessimismo diante dessa nova sociedade.
Assim como as outras vanguardas que estavam por vir, o Expressionismo se forma como uma nova maneira de entender a arte, negando o positivismo e os valores propagadas pelos movimentos impressionista e naturalista.
O artista expressionista, ao perceber as mudanças na sociedade européia, tenta representar a realidade de forma deformada, a fim de expressar de forma subjetiva a natureza e o ser humano, dando enfase a expressão de sentimentos ao inves da simples descrição da realidade.
Defendendo a liberdade individual (porém percebendo como esse novo mundo era uma ameaça a essa liberdade), o movimento tinha como objetivo ser o reflexo de uma visão emocional da realidade, utilizando em suas obras distorção de objetos e cores intensas e vibrantes. Outras caracteristicas desse movimento são: fundo distorcido, ilusão da tridimensionalidade, temas trágicos e sombrios, pintura subjetiva e pinceladas continuas (“vai e vem”), empastando e provocando “explosões” de cores e formas.
Como o interesse do movimento é projetar uma reflexão subjetiva, é comum o retrato de seres humanos solitários e sofredores, onde a intenção é de captar estados mentais.
Na Alemanha existiram dois grupos dominantes: Die Brücke (fundado em 1905), e Der Blaue Reiter (fundado em 1911).
Com temas que remetem à solidão e miséria, juntamente com o uso de cores acentuadas e agressivas, o expressionismo era a representação da angústia e ansiedade que pairavam no ar durante os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial. Angústia esta que culminou num desejo de transformar a vida e de renovar a linguagem artística.
Esta obra de Ernst Ludwig Kirchner traz muitas formas geométricas distorcidas, juntamente com diagonais e manchas de cores que acabam por constituir formas. Ela possui cores em seu rosto, que podem ser relacionadas ao uso de maquiagem, à puberdade, a sexualidade e a uma menina virando mulher. Levando em conta que o Expressionismo denota um pessimismo e um universo depressivo e angustiante, é possível fazer a relação entre a menina deixando para trás a fase infantil, repleta de felicidade, inocência e despreocupações, e iniciando uma fase adulta, onde reponsabilidades, medos, incertezas e principalmente a infelicidade estão presentes.
Ao utilizar formas geométricas não euclidianas, a vanguarda andava par a par com as investigações mais recentes de diversos campos da ciência, principalmente em relação à geometria, matemática e física (até mesmo a Teoria da Relatividade de Einstein foi utilizada como base para obras cubistas).
As obras pertencentes ao Cubismo negam toda a tradição artística, assim como qualquer sentimentalismo. O artista dessa vanguarda tenta mostrar os objetos retratados por diversas perspectivas. Para isso, compõem suas telas com diferentes pontos de vista sobrepostos um pelo outro. Principalmente durante a primeira fase do Cubismo, os objetos e paisagens eram fragmentados até se tornarem irreconhecíveis para o observador.
Nessa vanguarda praticamente todas as figuras são representadas por formas geométricas e o uso da cor perde parte de seu valor. São usados tons escuros e frios, com predomínio do marrom e do cinza. O artista se preocupa muito mais com as formas, linhas e ângulos do que com as cores.
O Cubismo é dividido em duas fases: Analítico e Sintético. A primeira fase tem como características figuras com difícil interpretação (objetos são decompostos em diversos ângulos), temas e elementos de fácil combinação e sem grande significado, e uso restrito de cores (tons de marrom e cinza). Na segunda fase percebe-se que o artista começa a decompor os objetos de forma que o mesmo continue reconhecível. Objetos reais (vidros, madeiras, e metais) passam a ser utilizados nas obras, assim como cores mais variadas.
Ao colocar o Cubismo em prática, Picasso faz uso o tempo todo de formas geométricas. Nesta obra, é forte a presença de retângulos e quadrados, muitas vezes distorcidos e perspectivados de maneira que se crie uma composição piramidal. Todas essas formas e linhas se conversam de forma agressiva, realçando as retas e os vértices. No cubismo, é comum figuras serem retratadas de modo que todas as perspectivas apareçam em cena, como se todos (ou quase todos) os lados do objeto fossem pintados num mesmo plano.
Iniciado em 1909, o Futurismo foi baseado nas extremas mudanças que estavam ocorrendo no cenário geral da Europa. O avanço das indústrias, o crescimento da população urbana e o crescente ritmo da vida do indivíduo fizeram com que os artistas dessa vanguarda tentassem representar em suas obras toda a velocidade desse novo modo de vida.
Assim como os artistas cubistas, o Futurismo rejeitava todo o moralismo do passado, assim como qualquer tipo de sentimentalismo. Através da expressão do progresso e da vida mecanizada, a vanguarda mantinha uma forte relação com o patriotismo (muitos artistas eram favoráveis ao Facismo e até mesmo a violência). Toda essa preocupação dos artistas futuristas pode ser observada já no primeiro manifesto da vanguarda, onde o criador do movimento, Fillipo Tommaso Marinetti, exalta a ação, a violência, a força, a agressão, o dinamismo, a velocidade e a constante transformação da sociedade.
As obras futuristas possuem uma abundância de cores, com predomínio de cores vivas e contrastantes. As pinturas possuem sobreposição de imagens, com muitos traços e pequenas deformações, sempre com o intuito de passar a ideia de movimento e dinamismo.
O Futurismo foca sua atenção para o dinamismo, fazendo com que o objeto em repouso, representado na tela, seja concebido como que em um movimento contínuo, desagregando em várias linhas de força. Por tal motivo, muitas das obras dessa vanguarda possuem imagens com difícil interpretação. O que importava para o artista futurista não é o objeto em si (locomotivas, carros e máquinas são os objetos que mais aparecem entre as obras futuristas), mas sim a representação do mesmo de forma a mostrar sua velocidade constante.
Assim como outras vanguardas, o Futurismo traz consigo uma significativa influência do Cubismo, com o constante uso de formas geométricas. Todavia, os artistas futuristas, preocupados com a velocidade das transformações da sociedade, sempre representavam tais formas em movimentos dinâmicos. Na obra em questão, percebe-se o uso constante de retângulos e quadrados destorcidos e sobrepostos uns aos outros, dando a ideia de que o objeto está em constante movimentação.
O Movimento Dadaísta surgiu em meados de 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, na Suíça. Traz consigo uma intensa carga de críticas à sociedade capitalista, ao consumo e à arte realizada principalmente antes da Guerra. Ele se manifesta não só nas artes plásticas, mas também na literatura, música, revistas, exposições, etc.
Já em relação ao nome Dadaísmo, existem teorias que foi escolhido ao acaso, abrindo-se o dicionário em uma página qualquer e apanhando uma palavra aleatória. Sendo que, em francês, “Dada” significa “cavalo de brinquedo” e isso só reforça ainda mais o caráter ilógico e sem sentido do movimento.
O cenário de uma Guerra está repleto de agressividade, revolta, insatisfação e rebeldia. E são exatamente nestas premissas onde estão as raízes do Dadaísmo, os ingredientes para sua formação. Sendo assim, por mais estranho e até mesmo infantil que possa parecer os princípios e ideais Dadaístas, é importante ressaltar a presença deste cenário bélico, onde é comum que se anseie por uma “leveza”, uma falta de lógica, uma gratuidade dos fatos, sem tantas complicações e consequências (que justamente a Guerra traz consigo).
O conceito Dadaísta se dá na antiarte. É através do choque, do absurdo e da sátira que sua arte vai se moldando, repleta de ironias e provocações ao mundo moderno. Chega-se até mesmo a duvidar e questionar a existência da própria arte, num ato de contradição.
Para expressar todos esses sentimentos, o artista Dadaísta tem hábitos um tanto esquisitos e incompreensíveis como fazer uso de restos de materiais encontrados pelo caminho que muitas vezes eram considerados lixo. Também usava objetos corriqueiros do dia a dia, apresentando-os de outra maneira e conotando um sentido artístico a eles – como um mictório ou um banco com rodas de bicicleta.
É comum encontrarmos pinturas sem sentido algum. É muito frequente a presença de maquinários industriais distorcidos e que não aparentam nenhuma função, que deixavam nítidas as críticas que os artistas do movimento faziam dessa “maquinização” do mundo moderno, da indústria. Também havia as pinturas de formas aleatórias na tela, com muitas cores e nenhum significado. Por fim, tem-se a Colagem como uma perfeita maneira de realizar uma arte dadaísta, onde materiais aleatórios eram recolhidos e colocados numa superfície, obviamente sem a presença da lógica. Eis que posteriormente isso será grande inspiração para os Surrealistas.
Como destaques desse movimento aparecem os artistas Marcel Duchamp, Hans Arp, Julius Evola, Francis Picabia, Max Ernst, Man Ray e Tristan Tzara. Sendo este último seu fundador e principal representante.
Francis Picabia foi um dos principais representantes do movimento Dadaísta, contribuindo muito para a sua formação. Suas obras são repletas de máquinas e engenhos como este da obra “O Menino Carburador”. Considerando que os artistas dadaístas eram irônicos e satíricos perante sua atual sociedade, as obras que continham tais máquinas carregavam consigo uma forte crítica à mecanização do mundo moderno, principalmente pelo fato de que estes maquinários não fazem sentido algum, não parecem realizar funções e são sempre dotados de peças desconexas e que não se encaixam de forma que pareçam funcionar.
A obra de Picabia apresenta várias formas e peças mecânicas jogadas em um plano, parecendo flutuar, reforçando o teor ilógico do dadaísmo. As cores são neutras, majoritariamente marrom e cinza, remetendo à indústria e máquinas. Juntamente a isto, temos as texturas que aparentam ser de madeira e de superfícies metálicas. Por fim, o nome da obra também contribui para as ideias de “non sense” (não há garoto algum) e universo industrial/mecânico (carburador).
“A mania incurável de reduzir o desconhecido ao conhecido, ao classificável, só serve para entorpecer cérebros. (…) Hoje em dia, os métodos da Lógica só servem para resolver problemas secundários”.
Essas foram palavras de André Breton em seu Manifesto Surrealista, datado de 1924, marco inauguratório do que conhecemos por Surrealismo. Este movimento artístico surge na França no início do século XX, ao fim da Primeira Grande Guerra. Está inserido num cenário repleto de insatisfação à “racionalidade burguesa” e à atual maneira de fazer arte na Europa. Surgido logo após a aparição do Dadaísmo e muitas vezes bebendo de sua fonte, o Surrealismo procura ressignificar a arte, apresentando um novo modo e um novo princípio pictórico e literário.
O Surrealismo tem como mote o afastamento da realidade, como um devaneio. Ele aborda o mundo da fantasia e da loucura e, ao se inspirar nas teorias Freudianas, traz a tona os impulsos inconscientes da mente, o imaginário e o irracional. Deste modo, acaba por abordar também temas como da sexualidade, angústia, traumas, sonhos e o tempo.
Para os Surrealistas, a arte deve provir do inconsciente, sem influência da razão, da lógica e de qualquer outro fator externo que pode “infectar” esse impulso artístico. Os artistas adeptos a este movimento, a fim de imprimir na tela o inconsciente imediato e sem interferência da razão, fazem uso da Pintura Automática, técnica onde há a justaposição de imagens de forma inesperada. Outra técnica é a Pintura de Sonho ou Pintura Onírica, onde a imagem era escolhida de forma consciente, pintada de forma racional, mas que fugia dos princípios da razão e da lógica. Era como “fotografar” o irreal.
Junto a essas técnicas, aparece a Colagem, onde o artista reúne imagens aleatórias e as junta, criando uma composição desconexa e logicamente impossível. É bastante perceptível nas obras surrealistas a presença de uma atmosfera onírica, com figuras destorcidas e “líquidas”, cenários desérticos e paisagens desfiguradas. Nota-se também a presença da Gestalt formando rostos camuflados em meio a outros objetos.
Em âmbito das artes plásticas, podemos citar como principal representante do movimento, Salvador Dalí. O artista levou o surrealismo ao ápice, ao entrar em contato direto com Freud e também ao defender a “Paranóia Crítica”, onde o delírio e o irreal eram ingredientes de sua arte, com a total libertação dos instintos irracionais. Outros grandes nomes do Surrealismo também são René Magritte, André Masson, Joán Miró, Max Ernst e Vladimir Kush.
Em relação ao contexto histórico da obra, Salvador Dali a pintou durante a Segunda Guerra Mundial. Assim sendo, acreditava-se que após um dos momentos mais aterrorizantes da história do homem, nasceria um novo tipo de homem. Entretanto, a visão do artista em relação a esse “novo homem” é pessimista e melancólica. Dessa forma, é possível observar a figura de uma mulher esquelética e triste apontando para o ovo onde nasce um homem (algo como uma representação dos horrores causados pela guerra e violência). Junto dela, encontra-se uma criança numa posição de medo e apreensão, com os braços segurando fortemente as pernas da mulher ao mesmo tempo em que observa o nascimento do “novo homem”.
O ovo que aparece na pintura por sua vez representa o mundo, com sua casca contendo os continentes. A África, por exemplo, deixa cair uma lágrima, como que representando todos os males que esse continente sofreu durante os séculos.
Também é importante observar a postura do “novo homem”. É possível perceber sua luta para sair do ovo, como se as amarras do mundo violento e dramático que eram predominantes na época ainda o prendessem. A gota de sangue que sai da rachadura de onde o homem está “nascendo” pode representar ao mesmo tempo os horrores causados pela Segunda Guerra Mundial e o pessimismo em relação ao homem pós-guerra.
Em relação a características marcantes do Surrealismo, e principalmente de Salvador Dali, podemos observar como a obra possui alguns elementos “derretidos”, como é o caso dos continentes presentes no ovo e o pano que fica flutuando em cima do mesmo.
No final da grande guerra, uma necessidade comum começou a espalhar-se pelo mundo da expressão artística, decorrente da recusa dos excessos levados a cabo pelas vanguardas, e da necessidade de referências estáveis, portos seguros onde levar refúgio após os desastres da guerra. Essas necessidades variadas levarão o nome de “retorno à ordem”. Até mesmo Picasso nos anos 1920 se expressou por meio de uma linguagem aderente a essa necessidade. Ele foi orientado para a criação de obras que expressassem uma dimensão figurativa redescoberta e uma harmonia derivada da recuperação da tradição clássica. A experiência da viagem a Itália foi sem dúvida decisiva para a viragem, que o levou a apreciar de perto as obras renascentistas.
O retorno à ordem se espalhou rapidamente pela Europa, era um objetivo sentido onde quer que a guerra se manifestasse com particular violência. A recuperação dos grandes repertórios clássicos, em termos de técnica e iconografia, foi para muitos o caminho a percorrer. Na Itália, uma difusão geral do clima de retorno à ordem foi certamente exercida pela revista “Valori plastici”, publicada até 1922, sob a direção de M. Broglio.
A própria designação “valores plásticos” era um exemplo da arte que pretendia promover, uma arte que assumia a tradição clássica como valor e que privilegiava os enquadramentos claros e sóbrios. Colaboradores da revista foram De Chirico, Savinio e Carrà. Na Itália, no final de 1916, de fato, ocorreu o encontro entre Carrà, De Chirico e Savinio, dando origem à corrente chamada Metafísica.
De Chirico, filho de um engenheiro italiano, nasceu em Volos, na Grécia, e foi alimentado pela mitologia daquele país. As suas obras alimentam-se, assim, de vários componentes e inserem-se no clima de regresso geral à ordem devido à constante referência, sobretudo desde os anos 1920, à arte como profissão, que também teoriza no seu ensaio de 1919 com o título “o regresso à o comércio”, e pela recusa geral ao experimentalismo excessivo das vanguardas artísticas.
Outra referência inevitável ao clima de recuperação geral dos modelos clássicos é o grupo italiano denominado dos sete pintores, também conhecido como “Novecento”. Os sete foram: Achille Funi, Mario Sironi, Anselmo Bucci, Leonardo Dudreville, Emilio Malerba, Piero Marussing e Ubaldo Oppi. Foi a jornalista e crítica de arte Margherita Sarfatti quem reuniu estes artistas pela primeira vez nas salas da Galeria Pesaro, em Milão, em 1923. A referência à pintura renascentista, mas também medieval, era um denominador comum.
O grupo posteriormente acolheu muitos outros pintores, que a personalidade enérgica de Sarfatti conseguiu atrair. Reconheceram-se na vontade de recuperar a tradição nacional e na rejeição dos excessos da vanguarda. Carrà, de Chirico e Morandi também participarão das iniciativas realizadas dentro do grupo Novecento. A posterior desintegração do Novecento deveu-se, para além dos inevitáveis fatores políticos que intervieram em vários setores naqueles anos, também à heterogeneidade das personagens presentes. No entanto, a experiência trouxe à tona protagonistas interessantes como Felice Casorati, que deu origem a uma tendência particular chamada “Realismo Mágico”. Di Casorati lembramos o “Retrato de Silvana Cenni” de 1922, no qual ele retoma as atmosferas de Piero della Francesca, e “Gli scolari” de 1928, exibido na Galeria de Arte Moderna de Palermo.
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